Iça o Dois!                     


 Exemplar Nr 36                                jul/ago/set 2010     
EDITORIAL

Na nossa Marinha ideal a Logística ainda continua a ter um papel de vital relevância. Se a Marinha real não se adaptar a END, muitos serão os problemas de hoje (e de ontem) que se repetirão, e poderão surgir novos, de muito maior gravidade.

Nessa Marinha que imaginamos muitas coisas terão que se aprimorar para tudo dar certo num futuro não muito distante. Da mesma forma que na Marinha real, iremos construir submarinos de origem alienígena, embora digam que já é uma versão BR. Tecnicamente, estaremos inteiramente dependentes de estrangeiros, se desde já não tomarmos medidas para absorver os conhecimentos técnicos que já estão disponíveis nos seus países, na forma de informações e dados técnicos. Se não soubermos quais são aqueles conhecimentos técnicos, eles certamente não nos serão fornecidos graciosamente.

Receberemos (porque compramos) um pacote tecnológico, talvez contendo, principalmente, aqueles dados disponíveis na construção. Mas essa já é uma fase adiantada no processo de obtenção - já se passou a da concepção, do design, do design avançado. Conheceremos por exemplo, qual o Conceito de Manutenção adotado? Qual foi o dimensionamento do esforço de Análise de Apoio Logístico? Disporemos de dados de Confiabilidade de cada sistema ou equipamento, ou apenas da sua resultante? Será satisfatória a Disponibilidade (como alcançada no projeto) para esses submarinos? Estaria ela de acordo com a Diponibilidade Inerente? Será que a Disponibilidade Operacional (prontidão operacional) não poderá ser mais degradada em função do ambiente de operação aqui no Brasil, diferente daquele para onde foram projetados os novos submarinos?

Conhecer essas informações de projeto é muito importante, pois poderemos atuar no sentido de aperfeiçoá-las. Já foi feita alguma coisa no S Tikuna.

Contudo, o que chama a atenção é que esse assunto não é só da competência da engenharia. O Alto Comando da nossa Instituição tem que conhecer do assunto para poder se antecipar (planejar) e providenciar os elementos e recursos necessários, tais como pessoal, orientação, supervisão, procedimentos, processos, programas, produtos,  instalações, cursos, etc.

Conversando um dia desses com um engenheiro naval, ele nos dizia que a MB se preocupa em projetar navios (os poucos que foram projetos nacionais) com vistas à apoiabilidade. Mesmo já sendo um conceito em vias de ser ultrapassado, já que as Marinhas mais modernas e que projetam e constroem navios estão evoluindo para o conceito de projetar com vistas ao desempenho, ainda assim é uma precupação muito atual. Merece, pois, que tal conceito seja implantado corretamente. E que seja praticado!

Na Marinha real observamos a falta de um SISTEMA LOGÍSTICO. O APOIO LOGÍSTICO INTEGRADO, processo que deve ser principal no PROGRAMA DE ALI (não existente!) ainda não tem o tratamento adequado, tanto como ferramenta de otimização do CICLO DE VIDA dos sistemas ou equipamentos navais de defesa, como de aperfeiçoamento de seus designs. Nunca vimos a prática da Análise de Apoio Logístico! Não existe PROGRAMA de CONFIABILIDADE, DISPONIBILIDADE, MANUTEBILIDADE (RCM)! O custo do CICLO DE VIDA (LCC) não é adequadamente cogitado. Não se pratica metodologia para acompanhar o custo com variavel independente (EVMS)! O Nucleo de Apoio Logístico, mandado criar pela Diretoria Geral do Material, não se entrosa com a a Coordenação que trata da construção de submarinos estrangeiros. Cogita-se que será o Centro Tecnológico dessa Marinha o responsável pelo desenvolvimento do projeto de um submarino nuclear. Não identificamos nesse ambiente a posição do Centro de Projetos de Navios, que sequer tem uma estrutura de Apoio Logístico Integrado compatível com suas atribuições, e não está igualmente, entrosado com o Nucleo de Apoio Logístico Integrado.

No meio de tudo isso, lembramos da existência do Ministério da Defesa, e de que sua orientação de como será abordada a Logística, tendo em vista a necessidade de integração entre as Forças Armadas, terá que ser respeitada e seguida. Vislumbramos, pois, profunda necessidade de abordagem em nível setorial (ministerial), de modo a por ordem na casa.

Na conversa que tivemos com nosso amigo engenheiro, sentimos que sua preocupação não era muito com custos, até porque trabalhando com parcelas definidas de um orçamento de execução no mínimo duvidosa, elas serviriam como as limitadoras dos gastos ao longo dos anos de preparo do poder naval que se avizinham. Nos faz lembrar um fato corriqueiro, quando o Comando Superior chama seu comandado e manda cortar serviços do Programa Geral de Manutenção, pois a verba que dispõe não é suficiente para fazer tudo.

Contudo, a preocupação com otimização dos gastos despendidos com material de defesa, tornando-os os menores possíveis enquanto atendendo às necessidades de defesa, deverá estar sempre na cogitação do Ministro da Defesa e, acima de tudo, do Congresso Nacional.

Caberá ao primeiro, como gestor de todos esses recursos, zelar para que os recursos sejam gastos com eficiência, enquanto que ao Congresso, além da última palavra no processo de autorização para tais dispêndios, caberá fiscalizar para que o dinheiro público não seja desperdiçado.

No estágio que estamos de atraso tecnológico, percebemos claramente porque isso não é assunto que possa preocupar a engenharia.  E é mais uma das razões porque os engenheiros não gostam de Logística.

Só podemos concluir, pois, em face de tantos descompassos, que a principal responsabilidade recai mesmo naqueles do Corpo da Armada que tem a missão de conduzir a Marinha real. 

 

 

 

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SUMÁRIO

Como é difícil evoluir (Final)

Razões para implantar o ALI

Sugestão de Instruções (2010) para implantar o ALI


           "SOMOS MARINHEIROS ATÉ DEBAIXO D' ÁGUA"